Barrigada de riso
Inventei um super-herói. O Homem-vagina. Super-herói que se veste com um fato e um capuz com folhos. O capuz tem uma bola vermelha na ponta que imita o clitóris. O super-poder dele é ser elástico, como uma vagina, e assim "engolir" os seus inimigos. Tem a capacidade de produzir fluidos ácidos, cuspindo-os à distância ou usando-os para desfazer os inimigos que engole. A bola que usa no topo do capuz é um instrumento tecnologicamente avançado e muito sensível que vibra com qualquer alteração de pressão atmosférica, dando-lhe a capacidade de antever os movimentos dos adversários. Não tem uma origin story, só para desafiar as expectativas, por mais razão nenhuma. E está ok. Para financiar a sua actividade de vigilante, o Homem-vagina faz anúncios para uma empresa de produtos de higiene feminina. Um possível conflito é que os executivos da empresa tentam influenciá-lo a salvar mais mulheres para o aproximar, a ele como marca, ainda mais do público-alvo. Não tem identidade secreta, toda a gente sabe quem ele é e existe desde sempre, é uma constante do universo.
Inventei isto no banho. E o que lhe faço? Deixo aqui. Poderá ser um episódio do podcast ou uma banda-desenhada. Mas eu não sei desenhar. Fica a marinar. Ah, fiz uma dad joke:
Sabem como se chamaria a moeda oficial da Espanha se deixassem o Euro e começassem a transacionar bens e serviços com o recurso a gases intestinais?
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Pusetas.
E foram estes os momentos criativos do meu dia. Mais pontos altos… O bebé continua bem, mais ou menos na mesma. Agora falo bastante com ele, sobre a capacidade de ele se peidar e fazer quase tanto barulho como eu com os meus gases, apesar de ter um quinto do tamanho do olho do cú. Emocionei-me a olhar para ele - para o bebé, não para o olho do cú - e a pensar que ele será uma pessoa, com vontades, amores, desamores, gostos, ódios, uma vida. Termos a capacidade de replicar a experiência humana em outro ser é maravilhoso. Nunca pensei ficar afectado desta maneira. Acho que é o instinto de procriação que me faz sentir assim. E ainda bem, sabe bem e dá um propósito biológico à nossa existência. Claro que, no fim das contas, nada disso interessa. Ao menos ocupa-nos o tempo com quentinho no peito.
Fora isso, vi o Inside do Bo Burnham. Não sei se é um filme, um especial de comédia, um documentário, um musical ou tudo isso misturado. É filosófico, é absurdo, é engraçado, é empático e era um desconhecido para mim até agora. Ainda vi o Make Happy a seguir, não achei tão inspirado, mas foi bom na mesma. Começo a pensar que quanto mais danos psicológicos uma pessoa sofre, mais criativo fica. É o velho ditado do quão mais génio, mais doudo, e vice-versa. Agora fico curioso para ver o filme que ele escreveu e realizou, o Eight Grade.