Dia sem palavras
Hoje foi um dia terrível. Passei-o a dormir. Sempre irritado, sempre estranho, sempre a sentir-me mal. Não sei o que fazer. Nem me apetecia escrever. Como raramente apetece. Estou a ouvir MGMT agora.
Sinto-me estranho nesta fase da minha vida. Sinto uma vontade de reciclar a mente, de ter estrelas a cobrir-me os olhos. É a nossa decisão, viver rápido. Não é não. Podemos viver bem rápido mas não somos nós que decidimos. E o tempo não faz sentido. Que se lixe
Não vou escrever mais. Vou antes questionar o porquê de perguntar. Ou então começo uma história.
Era uma vez um vendedor de fruta, com o seu negócio de bairro. Vendia papaia, melão, e ananás. Vendia outras coisas também, incluindo outras frutas, mas para que é que vou estar aqui a pensar numa lista de frutas para ele vender? É um vendedor de fruta, foda-se!
Num certo dia nublado, cheio de nuvens que espelhavam a falta de vontade da humanidade e que iriam fazer chover, provavelmente. Ou então não, às vezes pensamos “vem aí tempestade” e depois aquilo passa e um gajo nunca mais se lembra.
Bem, continuando a história, o vendedor nesse dia estava a atender um cliente, um homem alto, com barba grossa, olhos rijos, coração mole, vida ocupada, possuidor de uma hérnia discal. Tudo isto características que não interessam a ninguém, ele só foi comprar fruta Mas pronto, é o gajo de barba grossa.
Quando ia a pagar, pediu número de contribuinte. O vendedor não achou bem, já ganha tão pouco e ainda tem de dividir com um estado que ele acha que não lhe compensa.
Isto passou-se e sete anos depois, o vendedor já tinha deixado a sua frutaria. Tinha sido atropelado e entrado em coma. Agora acordou. Tinha um assassino pronto a acabar-lhe com a vida. Mas ele desviou-se e toda uma cena de ação mesmo à filme aconteceu.
Ele escapou e emigrou para o Vaticano. Tornou-se padre, fez orgias com outros padres, e fez-se Papa. E agora é Papa, o cabrão.